5º DIA. Itaituba – Jacareacanga
409 km
O hotel no qual me hospedei fica
com vista para o rio Tapajós. Não tem como não achar bonito. Aquele rio deve
ser um paraíso para quem gosta de pescarias. Saí às 7:30 h lembrando da
conversa que tive com Sr Peixoto ainda na balsa. Ele me alertou que este trecho
tem pouco trânsito e relevo muito acidentado, com muitas serras e curvas...o
tempo todo. Apesar de ter feito todo o planejamento das rotas, sempre pergunto
para alguém da cidade como estão as estradas e isso ajuda muito. Logo no começo
confirmei que a estrada acompanha as curvas do rio que sumia e aparecia na
mata.
| Tive que fazer a foto de cima da moto, pois não dava para estacionar |
Não demorou muito para chegar no Parque Nacional da Amazônia, a atração
mais esperada do dia. Parei para uma foto na placa e já na primeira ponte
fiquei em estado de choque com a beleza do lugar. Percebe-se claramente que
aquela mata só tem uma intervenção do homem: a própria rodovia transamazônica.
A floresta é muito densa e o cheiro é marcante. Tudo intacto em perfeita
sintonia. A medida que seguia pela estrada era como se eu fosse um intruso.
Tudo isso se misturava ao fato de eu estar sozinho no meio daquela selva crua,
e batia uma sensação forte...só estando lá para saber. E assim eu segui por
todo o Parque que estava com a estrada bem úmida, pois tinha chovido no dia
anterior (fiquei sabendo em Jacaré quando cheguei). Era preciso pilotar com
cuidado, já que meus pneus eram de uso misto.
Não havia necessidade de placas
avisando que o Parque Nacional da Amazônia tinha acabado (mais de 100 km de
distância). Era muito óbvio, pois a vegetação muda bruscamente. A partir dali o
homem tinha colocado a mão. Segui em direção ao km 180. Lá, vende-se gasolina a
R$ 5,00 o litro (que legal), tem uma pista de aviões pequenos que servem,
principalmente, aos garimpos da região. Conheci o Edson, mecânico de aviões, o
Ocean, Marcelo e a figura do local: Equimar. Se você for ao km 180 e o assunto
for ouro, fale com Equimar. Que figura.
Instalei a câmera em outro ângulo,
anotei mentalmente as dicas valiosas de Ocean sobre a estrada e continuei. No
dia anterior a poaca foi a protagonista e hoje a pista estreita com as
insistentes subidas e descidas de serras (creio que passei por mais de 100
serras, sem exagero) me deixaram tenso. Os veículos no sentido contrário só
fazem a curva no meio da pista, então diminuí o ritmo, pois do que adianta uma
estrada ótima de cascalho mas tão estreita que mal cabem dois carros num
cruzamento? Jacareacanga não fica na BR230. Você tem que entrar por 8 km. Fiz
umas fotos na placa de boas vindas, quando um funcionário, que estava
instalando a placa, perguntou de onde eu vinha. Respondi, e para puxar conversa,
perguntei se estava longe de Jacaré. Ele disse: se você fosse de bicicleta era
longe mas nessa máquina você chega em 5 minutos. Esqueci de perguntar se ele
era cearense.
Cheguei em Jacareacanga e fui logo no hotel indicado pela galera
do km 180. Hotel simples, mas limpo e aconchegante.
DVD América sem fronteiras em breve!!! Fotos, vídeos e relatos!
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