4º DIA. Altamira – Itaituba 495 km
http://youtu.be/fgWMXKfXwe0
http://youtu.be/fgWMXKfXwe0
Dormi cedo na noite anterior e
por isso acordei 3:40 h sem sono. Resolvi catalogar as fotos e uma parte dos vídeos. Tomei um café da manhã caprichado e ao organizar a bagagem vieram três
funcionários de uma empresa, também hospedados no hotel, e fizeram algumas
perguntas admirando a aventura. Divulguei o blog para eles, fiz algumas fotos e
parti já meio tarde, 7:45 h. Entre
Altamira e Medicilândia há muitas tranqueiras, o que não permitiu um bom
rendimento no trecho. Presenciei uma máquina retirando pedras enormes da antiga
rodovia para que a nova seja pavimentada.
Existem muitas pedras nesse local.
Mais adiante instalou-se uma britadeira que serve às obras da estrada
utilizando as próprias pedras dinamitadas. Construção de estrada é realmente
algo muito caro para nossos cofres. Muitos operários, muitas máquinas e muito
tempo para o desfecho final. Nesse caso “só” uns 40 anos. As obras estão
presentes até o município de Uruará, onde abasteci mais uma vez e tomei uma
água.
| Uruará-Pa |
O próximo lugar seria Placas. Um trecho bem difícil pelos buracos, valas
e pedras. Não há obras nesse pedaço de chão. Demorei uma hora e meia
aproximadamente para fazer apenas 63 km. Como meus sentidos e reflexos foram
mais exigidos, senti dores no joelho esquerdo (operei o direito em janeiro
deste ano) e na mão direita. Parei duas
vezes só para alongar. Em uma delas o lugar era meio sinistro. Havia um galpão
ao longe cheio de cadeiras vazias e eu conseguia ouvir um barulho estranho
vindo da mata. Não esperei nada. Liguei a moto e me mandei dali. Era muita coisa
estranha, ainda por cima eu, que tenho 40% de déficit auditivo, ouvindo coisas
de longe. Era para rir. De Placas à Itaituba, passando por Rurópolis, há
trechos bons e ruins.
| Trevo de Rurópolis-Pa de acesso a Santarém-Pa |
| Rurópolis-Pa |
Acontece que os bons tem aquilo que é o terror da
transamazônica: a poaca. Aquele pó que quando você pisa no chão o pé fica
coberto por uma espécie de talco. Se chover e você não estiver com o pneu
adequado é roça na certa.
| Pó terrorista |
| Imaginem todas andando juntas nesse trecho. |
Pois bem, esse foi o pedaço de chão mais difícil da
viagem até agora. Buraco eu desvio, pedra também, mas aquele pó impossibilita
de fazer qualquer coisa. E o pior é que os pontos eram dentro de mata fechada
formando túnel. A visão era completamente impedida. Engoli muita poeira. Chegou
um momento que minha viseira não dava mais para ser usada fechada. Usei os
óculos de sol com a viseira aberta. Depois nem os óculos davam jeito. Meu medo
maior era de bater de frente com um carro no sentido contrário. Finalmente
saímos daquele túnel de mata e a poeira se dispersou e ultrapassei aquele filho
da mãe (na verdade eram duas carretas andando juntas disputando quem fazia mais
poeira na minha cara). Numa vila chamada km 85 dei uma parada rápida para lavar
o rosto e a viseira, mas antes fiz esta foto abaixo com a ajuda de uma senhora,
que não parava de rir da minha cara.
Me recompus rapidamente pois já haviam passado 3 carros de passeio desesperados para não serem alcançados de novo
pelas carretas. Fiz o mesmo e só parei em Itaituba. Um pouco antes de Itaituba
avistei uma cobra no chão ainda se mexendo. Quando parei para fazer uma foto,
passou um carro e acabou de mata-la. Não sei qual é a espécie, mas tenho uns
dois amigos especialistas nesse assunto. Vou deixar para eles identificarem
(rsrs).
O rio Tapajós é muito bonito. Apanhei a balsa e procurei um hotel que
tivesse coragem de me hospedar. Eu estava imundo.
| Rio Tapajós - Itaituba-Pa |
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