sexta-feira, 28 de junho de 2013

4º DIA

4º DIA. Altamira – Itaituba 495 km

http://youtu.be/fgWMXKfXwe0


Dormi cedo na noite anterior e por isso acordei 3:40 h sem sono. Resolvi catalogar as fotos e uma parte dos vídeos. Tomei um café da manhã caprichado e ao organizar a bagagem vieram três funcionários de uma empresa, também hospedados no hotel, e fizeram algumas perguntas admirando a aventura. Divulguei o blog para eles, fiz algumas fotos e parti já meio tarde, 7:45 h. Entre Altamira e Medicilândia há muitas tranqueiras, o que não permitiu um bom rendimento no trecho. Presenciei uma máquina retirando pedras enormes da antiga rodovia para que a nova seja pavimentada.






 Existem muitas pedras nesse local. Mais adiante instalou-se uma britadeira que serve às obras da estrada utilizando as próprias pedras dinamitadas. Construção de estrada é realmente algo muito caro para nossos cofres. Muitos operários, muitas máquinas e muito tempo para o desfecho final. Nesse caso “só” uns 40 anos. As obras estão presentes até o município de Uruará, onde abasteci mais uma vez e tomei uma água.

Uruará-Pa
O próximo lugar seria Placas. Um trecho bem difícil pelos buracos, valas e pedras. Não há obras nesse pedaço de chão. Demorei uma hora e meia aproximadamente para fazer apenas 63 km. Como meus sentidos e reflexos foram mais exigidos, senti dores no joelho esquerdo (operei o direito em janeiro deste ano) e na mão direita.  Parei duas vezes só para alongar. Em uma delas o lugar era meio sinistro. Havia um galpão ao longe cheio de cadeiras vazias e eu conseguia ouvir um barulho estranho vindo da mata. Não esperei nada. Liguei a moto e me mandei dali. Era muita coisa estranha, ainda por cima eu, que tenho 40% de déficit auditivo, ouvindo coisas de longe. Era para rir. De Placas à Itaituba, passando por Rurópolis, há trechos bons e ruins. 

Trevo de Rurópolis-Pa de acesso a Santarém-Pa

Rurópolis-Pa
Acontece que os bons tem aquilo que é o terror da transamazônica: a poaca. Aquele pó que quando você pisa no chão o pé fica coberto por uma espécie de talco. Se chover e você não estiver com o pneu adequado é roça na certa.


Pó terrorista
Imaginem todas andando juntas nesse trecho.
Pois bem, esse foi o pedaço de chão mais difícil da viagem até agora. Buraco eu desvio, pedra também, mas aquele pó impossibilita de fazer qualquer coisa. E o pior é que os pontos eram dentro de mata fechada formando túnel. A visão era completamente impedida. Engoli muita poeira. Chegou um momento que minha viseira não dava mais para ser usada fechada. Usei os óculos de sol com a viseira aberta. Depois nem os óculos davam jeito. Meu medo maior era de bater de frente com um carro no sentido contrário. Finalmente saímos daquele túnel de mata e a poeira se dispersou e ultrapassei aquele filho da mãe (na verdade eram duas carretas andando juntas disputando quem fazia mais poeira na minha cara). Numa vila chamada km 85 dei uma parada rápida para lavar o rosto e a viseira, mas antes fiz esta foto abaixo com a ajuda de uma senhora, que não parava de rir da minha cara. 


Me recompus rapidamente pois já haviam passado 3 carros de passeio desesperados para não serem alcançados de novo pelas carretas. Fiz o mesmo e só parei em Itaituba. Um pouco antes de Itaituba avistei uma cobra no chão ainda se mexendo. Quando parei para fazer uma foto, passou um carro e acabou de mata-la. Não sei qual é a espécie, mas tenho uns dois amigos especialistas nesse assunto. Vou deixar para eles identificarem (rsrs).



O rio Tapajós é muito bonito. Apanhei a balsa e procurei um hotel que tivesse coragem de me hospedar. Eu estava imundo. 

Rio Tapajós - Itaituba-Pa
Assista a um vídeo deste dia acessando: http://www.youtube.com/watch?v=wlKViocsZeM


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