sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

16º DIA

16º DIA. Rio Branco – Fortaleza


               Passagem aérea comprada, despachei a moto próximo ao meio dia e mais tarde tomei um táxi para o aeroporto daquela pequena capital onde nunca imaginei um dia trafegar. Ao embarcar no avião, subindo as escadas, senti pequenas dores nos joelhos. Foi aí que passou na minha mente todo o filme desta jornada, da preparação ao ponto máximo da viagem. Eu podia agora dizer que fiz algo chocante em minha vida e o melhor: eu estava super feliz. Feliz em completar a viagem sem nenhum dano físico causado por acidente. Feliz por todas as emoções vividas naqueles 16 dias e acima de tudo feliz por estar próximo de rever minha família. Ao me acomodar em minha poltrona senti certo alivio nos joelhos. Aquela dor me traria sempre uma doce lembrança. Fechei os olhos e em milésimos de segundos já estava nas escadarias da velha cidade inca.



PS: Quero agradecer de coração a todos que leram este blog. Trata-se apenas de um relato romântico do que foi para mim uma enorme aventura. A realização de um grande sonho. Porque é assim que a vida tem sentido...obrigado!
http://youtu.be/fgWMXKfXwe0

15º DIA

15º DIA. Brasiléia – Rio Branco


                   O café da manhã era farto e saboroso, como na maioria das vezes, mas neste continha coisas bem caipiras as quais eu adoro, tais como, banana frita, carne de sol, bolos dos mais variados sabores e por aí vai. A verdade é que eu já estava com saudade da comida brasileira, apesar de poucos dias fora. Ao atravessar a cidade observei muitas pessoas de pele negra andando em grupos. Notei claramente que não eram brasileiros. Depois me dei conta que eram os famosos imigrantes haitianos. Muitos chegaram ao Brasil, via Acre, depois da catástrofe de 2010 quando um terremoto assolou o Haiti. A questão é que Brasiléia é uma cidade pequena e não tinha estrutura para receber tantos imigrantes. Fiquei sabendo que muitos entraram no Brasil depois de uma longa jornada via Peru e/ou Bolívia até mesmo pela mata com “coiotes”. Chegavam sem dinheiro algum e se alojavam em galpões improvisados pela prefeitura. Muitos moradores reclamavam do mau cheiro em torno destes galpões, pois não havia banheiros suficientes para tanta gente e no final das contas os haitianos realizavam suas necessidades nas imediações mesmo. Uma dura realidade para todos. São coisas que nos fazem refletir bastante e foi o que fiz daquela cidade até Rio Branco. Fui sem pressa, apenas curtindo os pastos deixados para trás, os quais lembravam a região em que passei boa parte da minha infância. Este dia curti, mesmo sem saber, a última tocada nesta moto que tornou-se minha paixão. Sempre fui admirador da Yamaha e esta aventura solo fortaleceu mais ainda os laços. Praticamente não fotografei, apenas deixei a câmera filmando até acabar a bateria. Passei por algumas tranqueiras. Uma demorou mais de 40 minutos, motivo pelo qual eu cheguei depois do previsto em Rio Branco. Fui direto à concessionária da Yamaha onde comprei pastilhas traseiras gentilmente trocadas pelo próprio gerente da oficina que se comoveu com a aventura e resolveu quebrar-me o galho. Já eram mais de 14:00 h do sábado e os mecânicos já haviam encerrado a jornada.  Pneu traseiro não encontrei. Então resolvi dar por encerrada à maior aventura já realizada por mim, até agora. Hospedei-me em um hotel simples por ali mesmo e fui em busca de uma transportadora. O próprio pessoal do hotel resolveu tudo para mim. Descansei. 

http://youtu.be/fgWMXKfXwe0


Estado do pneu

Rodei de Cusco - Peru à Rio Branco - Acre com elas assim

Hotel em Rio Branco

14º DIA

14º DIA. Puerto Maldonado (Peru) – Cobija (Bolívia) - Brasiléia (Acre)



           Tentei sair o mais cedo possível para visitar uma cidade boliviana e talvez realizar umas comprinhas. No entanto, demorei no café da manhã e tive dificuldade de acessar a ponte que leva à saída da cidade. Andei pelo subúrbio de Puerto Maldonado às margens do rio Madre de Dios, que no Brasil se torna o Madeira,  e percebi o quanto a cidade é pobre. Abasteci após a ponte e segui viagem pela Interoceânica. Planchon ficou para trás e em seguida veio Mavila onde parei num pequeno bar para tomar água. Havia uma turma bem animada bebendo e falando alto. Estavam tipo tirando sarro do dono do bar e o clima era de muita alegria. Quando entrei no local todos se calaram diante deste motociclista todo a caráter. Começaram a fazer várias perguntas, admiravam a moto e toda a bagagem sobre ela. Muito simpáticos, ofereceram-me uma bebida, mas preferi tomar água mesmo. Depois de algumas fotos, segui viagem com a turma se despedindo com entusiasmo.

http://youtu.be/fgWMXKfXwe0




                 Num trecho em obra, conheci Mauro que estava a passeio com a esposa e a irmã. Na verdade era uma grande aventura, pois visitaram Cusco, Nasca e Titicaca (se não estou enganado) a bordo de um Gol Rallye. Mauro e a esposa moram em São Paulo e a irmã em Rondônia. Trocamos ideias e batemos um bom papo até próximo a fronteira com o Brasil. Mauro também é fissurado por motos e tem uma Honda Transalp. Combinamos de almoçarmos juntos em Assis Brasil e acabou não sendo possível devido ao desencontro causado por uma forte chuva no momento em que eu estava na aduana peruana. 

Próximo à Bolívia

Serviço de imigração peruano

Aduana peruana

Acesso a Assis Brasil


                   Na aduana brasileira, um policial federal puxou conversa sobre viagens de moto, outro pediu um adesivo. Dei baixa no passaporte e segui em direção a Brasileia observando a enorme diferença entre as estradas peruanas e brasileiras, que no caso era a mesma rodovia. Infelizmente a nossa estrada do pacífico é mal tratada, sem muita manutenção e com mato avançando a pista. O Peru é um país pequeno em relação ao Brasil, tem um relevo bastante acidentado e atravessado, nada mais nada menos, pela Cordilheira dos Andes, com certeza recebe menos recursos financeiros que o Brasil, mas suas estradas estão excelentes. Pelo menos nos locais por onde passei. Cheguei em Brasileia e avistei Mauro. Combinamos de nos encontrar em Cobija na Bolívia. Na loucura do trânsito, não o encontrei mais. Brasileia estava em festa devido a uma micareta e, segundo informações, o Acre estava todo naquela cidade. Com muita dificuldade consegui acessar a Bolívia e conheci a pequena Cobija. Fiz algumas compras, pois os preços eram bem atraentes, chegando alguns produtos a custarem a metade do preço praticado no Brasil. Decidi retornar ao Brasil e seguir para Rio Branco. Cheguei a rodar uns 15 km e me vi cansado rodando à noite numa estrada perigosa, devido aos assaltos (segundo comentários colhidos). Resolvi pernoitar em Epitaciolândia. Não me empolguei com nenhum hotel disponível.  Voltei a Brasileia mais uma vez, encontrando um hotel ótimo já na saída oposta da cidade. Isto mostra que numa viagem deste porte nem tudo sai como planejado e é preciso tomar decisões certas no momento oportuno. Saí para jantar, entrei em contato com a família e simplesmente apaguei na cama.