15º DIA. Brasiléia – Rio Branco
O café da manhã era farto e saboroso, como na maioria das
vezes, mas neste continha coisas bem caipiras as quais eu adoro, tais como,
banana frita, carne de sol, bolos dos mais variados sabores e por aí vai. A
verdade é que eu já estava com saudade da comida brasileira, apesar de poucos
dias fora. Ao atravessar a cidade observei muitas pessoas de pele negra andando
em grupos. Notei claramente que não eram brasileiros. Depois me dei conta que
eram os famosos imigrantes haitianos. Muitos chegaram ao Brasil, via Acre,
depois da catástrofe de 2010 quando um terremoto assolou o Haiti. A questão é
que Brasiléia é uma cidade pequena e não tinha estrutura para receber tantos
imigrantes. Fiquei sabendo que muitos entraram no Brasil depois de uma longa
jornada via Peru e/ou Bolívia até mesmo pela mata com “coiotes”. Chegavam sem dinheiro
algum e se alojavam em galpões improvisados pela prefeitura. Muitos moradores
reclamavam do mau cheiro em torno destes galpões, pois não havia banheiros
suficientes para tanta gente e no final das contas os haitianos realizavam suas
necessidades nas imediações mesmo. Uma dura realidade para todos. São coisas
que nos fazem refletir bastante e foi o que fiz daquela cidade até Rio Branco.
Fui sem pressa, apenas curtindo os pastos deixados para trás, os quais
lembravam a região em que passei boa parte da minha infância. Este dia curti,
mesmo sem saber, a última tocada nesta moto que tornou-se minha paixão. Sempre
fui admirador da Yamaha e esta aventura solo fortaleceu mais ainda os laços.
Praticamente não fotografei, apenas deixei a câmera filmando até acabar a bateria.
Passei por algumas tranqueiras. Uma demorou mais de 40 minutos, motivo pelo
qual eu cheguei depois do previsto em Rio Branco. Fui direto à concessionária
da Yamaha onde comprei pastilhas traseiras gentilmente trocadas pelo próprio
gerente da oficina que se comoveu com a aventura e resolveu quebrar-me o galho.
Já eram mais de 14:00 h do sábado e os mecânicos já haviam encerrado a
jornada. Pneu traseiro não encontrei. Então
resolvi dar por encerrada à maior aventura já realizada por mim, até agora. Hospedei-me
em um hotel simples por ali mesmo e fui em busca de uma transportadora. O
próprio pessoal do hotel resolveu tudo para mim. Descansei.
http://youtu.be/fgWMXKfXwe0
http://youtu.be/fgWMXKfXwe0
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