sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

15º DIA

15º DIA. Brasiléia – Rio Branco


                   O café da manhã era farto e saboroso, como na maioria das vezes, mas neste continha coisas bem caipiras as quais eu adoro, tais como, banana frita, carne de sol, bolos dos mais variados sabores e por aí vai. A verdade é que eu já estava com saudade da comida brasileira, apesar de poucos dias fora. Ao atravessar a cidade observei muitas pessoas de pele negra andando em grupos. Notei claramente que não eram brasileiros. Depois me dei conta que eram os famosos imigrantes haitianos. Muitos chegaram ao Brasil, via Acre, depois da catástrofe de 2010 quando um terremoto assolou o Haiti. A questão é que Brasiléia é uma cidade pequena e não tinha estrutura para receber tantos imigrantes. Fiquei sabendo que muitos entraram no Brasil depois de uma longa jornada via Peru e/ou Bolívia até mesmo pela mata com “coiotes”. Chegavam sem dinheiro algum e se alojavam em galpões improvisados pela prefeitura. Muitos moradores reclamavam do mau cheiro em torno destes galpões, pois não havia banheiros suficientes para tanta gente e no final das contas os haitianos realizavam suas necessidades nas imediações mesmo. Uma dura realidade para todos. São coisas que nos fazem refletir bastante e foi o que fiz daquela cidade até Rio Branco. Fui sem pressa, apenas curtindo os pastos deixados para trás, os quais lembravam a região em que passei boa parte da minha infância. Este dia curti, mesmo sem saber, a última tocada nesta moto que tornou-se minha paixão. Sempre fui admirador da Yamaha e esta aventura solo fortaleceu mais ainda os laços. Praticamente não fotografei, apenas deixei a câmera filmando até acabar a bateria. Passei por algumas tranqueiras. Uma demorou mais de 40 minutos, motivo pelo qual eu cheguei depois do previsto em Rio Branco. Fui direto à concessionária da Yamaha onde comprei pastilhas traseiras gentilmente trocadas pelo próprio gerente da oficina que se comoveu com a aventura e resolveu quebrar-me o galho. Já eram mais de 14:00 h do sábado e os mecânicos já haviam encerrado a jornada.  Pneu traseiro não encontrei. Então resolvi dar por encerrada à maior aventura já realizada por mim, até agora. Hospedei-me em um hotel simples por ali mesmo e fui em busca de uma transportadora. O próprio pessoal do hotel resolveu tudo para mim. Descansei. 

http://youtu.be/fgWMXKfXwe0


Estado do pneu

Rodei de Cusco - Peru à Rio Branco - Acre com elas assim

Hotel em Rio Branco

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