quinta-feira, 4 de julho de 2013

8º DIA

8º DIA. Humaitá – Rio Branco


Na madrugada houve uma chuva muito forte com muito barulho devido ao tipo de telha da varanda do hotel. Tomei café da manhã caprichado e fui abordado por outro hóspede, da mesma forma que no dia anterior. Várias perguntas, entusiasmo, vontade de um dia fazer o mesmo, mas não sabia se tinha a mesma coragem, talvez em uma turma e por aí vai. No final passei o blog para ele que saiu com cara de quem vai realmente acompanhar a aventura. A moto teve dificuldade de funcionar, pois a chave não girava. As engrenagens estavam ressecadas da poeira. Fiz uma foto na placa de saída da cidade e de longe avistei uma espécie de quartel com vários jovens militares. Acenaram para mim empolgados e devolvi com uma discreta buzinada. Com certeza cada um deles tem espírito aventureiro como o meu, pois acredito que para ser um militar é necessária uma boa dose de coragem para enfrentar obstáculos difíceis.
Humaitá - AM

 Segui pela BR 319 caracterizada por muitas retas  e asfalto bem preservado, diferentemente do trecho que liga Humaitá à Manaus, onde é conhecida por rodovia fantasma por ter poucos veículos transitando e seu estado ser péssimo, totalmente abandonado. Quem sabe um dia percorro essa pedaço de chão. Sem entender por que, meu painel marcou reserva em Soanopolis. Achei estranho, pois havia enchido o tanque na noite anterior como sempre faço ao chegar em uma cidade. Parei em uma casa que vendia a granel e, por precaução, coloquei 4 litros. Foi quando conheci outro Sr Carlos nesta viagem. Quando fui parando ele logo disse: rapaz, só faltou trazer mesmo o sofá e a televisão. Esse tipo de abordagem é muito comum de onde venho. Ele era de Sobral no Ceará e foi morar na região no período da corrida do ouro, década de 80. Tive uma conversa rápida com Sr Carlos, mas constatei em poucos minutos que ele tinha aprendido lições valiosas da vida. Lições simples, que todo mundo sabe, mas que em muitas vezes viram as costas e preferem seguir pelo caminho errado. 

Sr. Carlos

Cheguei em Porto Velho, atravessei o rio Madeira na balsa. Existe uma ponte enorme quase pronta. Segundo os que estavam na balsa, o governo estava cozinhando o galo para coincidir com a visita da Presidente à Porto Velho. Peguei umas dicas e fui à procura da revendedora da Yamaha. Comprei o filtro de ar e entreguei o bilhete bem humorado do Juan para o Luiz que trabalha na loja. Só balançou a cabeça riu e me devolveu. O uruguaio tira sarro de todo mundo.

Vejam o que a poeira da transamazônica é capaz de fazer.

 Durante a troca do filtro veio um rapaz do qual não me recordo o nome. Disse que ia fazer esta viagem também no ano que vem numa tenere 250. Trocamos algumas ideias até terminar de montar as coisas na moto. Segui pela BR 364 e concluí que a paisagem dessa região, desde Humaitá, é muito semelhante às do norte tocantinense e sul do Pará. São muitas fazendas, com muitos pastos.
Paisagem constante de toda a transamazônica até o Acre.
 Pecuária aqui é muito forte. Até o sotaque do povo é parecido com o das regiões citadas. Mas há também um sotaque típico de Belém, com aquele chiado. Muitos não são daqui. Em Jaci Paraná abasteci assim como em Abunã e logo cheguei para outra travessia do rio Madeira. Lá, conheci duas senhoras (mãe e filha) mineiras. A mãe estava visitando a filha que mora no Acre. Muito simpáticas e me ajudaram fazer algumas fotos.


 O legal é que nesse ponto passei a não mais que 10 metros da fronteira com a Bolívia. Os rios Madeira e Abunã abraçam o território boliviano nesse pedaço de chão. Há uma espécie de enseada com a bandeira da Bolívia. Do outro lado, quando desembarquei a moto, tomei um refrigerante e observei os passageiros entrando no ônibus. Havia vários bolivianos. 
Bolivianos

Enseada boliviana

Atrás destas árvores é território boliviano

A parte delimitada pela linha rosa é Bolívia, abraçada pelos rios Madeira e Abunã.

Abasteci em Vista Alegre do Abunã  e numa cidade chamada Extrema, ainda em Rondônia, coloquei a capa de chuva , pois o tempo estava muito fechado. Ali conheci o Valdir, um capixaba. O achei um pouco indignado por ter sido levado ainda criança para morar naquela região. Já Natanael, (de novo) cearense de Quixadá, estava muito feliz com sua vida em RO. Vivia na fazenda e disse que nada lhe faltava.  Parei em Acrelândia para abastecer, já estava no estado do Acre. 
Natanael, fazendeiro de Quixadá-Ce em Rondônia

Acre...nunca pensei em pisar aqui!
A paisagem do Acre é ainda mais marcada pelas inúmeras fazendas e todas com pastos bem cuidados que de longe parecem gramados. Foi assim até chegar em Rio Branco já escuro.
DVD América sem fronteiras em breve!!! Fotos, vídeos e relatos!

4 comentários:

  1. Parabéns Tupany pela coragem.
    Vou acompanhar pelo Blog.
    Abraço.

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  2. Meu irmãozinho... que aventura hein... todo o dia, durante o trabalho fico me lembrando onde eu estaria e o que teria vivido e aprendido durante essa expedição.
    hoje fui retirar minha moto na transbrasiliana e que sensação forte.
    Ehh, é hora de priorizar outros planos e depois repensar no sonho..
    esperamos você em Beberibe, para comemorarmos essa aventura.
    valeu cara.
    Ps: ainda lhe devo uma cerveja no MAMA AFRICA...

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    1. É Elton...continue sonhando, pois quanto mais a gente sonha, maior é a alegria da realização. Estou com quatro cusquenhas na sua frente!

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