8º DIA. Humaitá – Rio Branco
Na madrugada houve uma chuva
muito forte com muito barulho devido ao tipo de telha da varanda do hotel.
Tomei café da manhã caprichado e fui abordado por outro hóspede, da mesma forma
que no dia anterior. Várias perguntas, entusiasmo, vontade de um dia fazer o
mesmo, mas não sabia se tinha a mesma coragem, talvez em uma turma e por aí
vai. No final passei o blog para ele que saiu com cara de quem vai realmente
acompanhar a aventura. A moto teve dificuldade de funcionar, pois a chave não
girava. As engrenagens estavam ressecadas da poeira. Fiz uma foto na placa de
saída da cidade e de longe avistei uma espécie de quartel com vários jovens
militares. Acenaram para mim empolgados e devolvi com uma discreta buzinada.
Com certeza cada um deles tem espírito aventureiro como o meu, pois acredito
que para ser um militar é necessária uma boa dose de coragem para enfrentar
obstáculos difíceis.
| Humaitá - AM |
Segui pela BR 319 caracterizada por muitas retas e asfalto bem preservado, diferentemente do
trecho que liga Humaitá à Manaus, onde é conhecida por rodovia fantasma por ter
poucos veículos transitando e seu estado ser péssimo, totalmente abandonado.
Quem sabe um dia percorro essa pedaço de chão. Sem entender por que, meu painel
marcou reserva em Soanopolis. Achei estranho, pois havia enchido o tanque na
noite anterior como sempre faço ao chegar em uma cidade. Parei em uma casa que
vendia a granel e, por precaução, coloquei 4 litros. Foi quando conheci outro
Sr Carlos nesta viagem. Quando fui parando ele logo disse: rapaz, só faltou
trazer mesmo o sofá e a televisão. Esse tipo de abordagem é muito comum de onde
venho. Ele era de Sobral no Ceará e foi morar na região no período da corrida
do ouro, década de 80. Tive uma conversa rápida com Sr Carlos, mas constatei em
poucos minutos que ele tinha aprendido lições valiosas da vida. Lições simples,
que todo mundo sabe, mas que em muitas vezes viram as costas e preferem seguir
pelo caminho errado.
| Sr. Carlos |
Cheguei em Porto Velho, atravessei o rio Madeira na balsa.
Existe uma ponte enorme quase pronta. Segundo os que estavam na balsa, o
governo estava cozinhando o galo para coincidir com a visita da Presidente à
Porto Velho. Peguei umas dicas e fui à procura da revendedora da Yamaha.
Comprei o filtro de ar e entreguei o bilhete bem humorado do Juan para o Luiz
que trabalha na loja. Só balançou a cabeça riu e me devolveu. O uruguaio tira
sarro de todo mundo.
| Vejam o que a poeira da transamazônica é capaz de fazer. |
Durante a troca do filtro veio um rapaz do qual não me
recordo o nome. Disse que ia fazer esta viagem também no ano que vem numa
tenere 250. Trocamos algumas ideias até terminar de montar as coisas na moto.
Segui pela BR 364 e concluí que a paisagem dessa região, desde Humaitá, é muito
semelhante às do norte tocantinense e sul do Pará. São muitas fazendas, com muitos
pastos.
| Paisagem constante de toda a transamazônica até o Acre. |
Pecuária aqui é muito forte. Até o sotaque do povo é parecido com o das
regiões citadas. Mas há também um sotaque típico de Belém, com aquele chiado.
Muitos não são daqui. Em Jaci Paraná abasteci assim como em Abunã e logo
cheguei para outra travessia do rio Madeira. Lá, conheci duas senhoras (mãe e
filha) mineiras. A mãe estava visitando a filha que mora no Acre. Muito
simpáticas e me ajudaram fazer algumas fotos.
O legal é que nesse ponto passei
a não mais que 10 metros da fronteira com a Bolívia. Os rios Madeira e Abunã
abraçam o território boliviano nesse pedaço de chão. Há uma espécie de enseada
com a bandeira da Bolívia. Do outro lado, quando desembarquei a moto, tomei um
refrigerante e observei os passageiros entrando no ônibus. Havia vários
bolivianos.
| Bolivianos |
| Enseada boliviana |
| Atrás destas árvores é território boliviano |
| A parte delimitada pela linha rosa é Bolívia, abraçada pelos rios Madeira e Abunã. |
Abasteci em Vista Alegre do Abunã e numa cidade chamada Extrema, ainda em
Rondônia, coloquei a capa de chuva , pois o tempo estava muito fechado. Ali
conheci o Valdir, um capixaba. O achei um pouco indignado por ter sido levado
ainda criança para morar naquela região. Já Natanael, (de novo) cearense de
Quixadá, estava muito feliz com sua vida em RO. Vivia na fazenda e disse que
nada lhe faltava. Parei em Acrelândia
para abastecer, já estava no estado do Acre.
| Natanael, fazendeiro de Quixadá-Ce em Rondônia |
| Acre...nunca pensei em pisar aqui! |
A paisagem do Acre é ainda mais
marcada pelas inúmeras fazendas e todas com pastos bem cuidados que de longe
parecem gramados. Foi assim até chegar em Rio Branco já escuro.
DVD América sem fronteiras em breve!!! Fotos, vídeos e relatos!
DVD América sem fronteiras em breve!!! Fotos, vídeos e relatos!
Parabéns Tupany pela coragem.
ResponderExcluirVou acompanhar pelo Blog.
Abraço.
Valeu Diogo!
ExcluirMeu irmãozinho... que aventura hein... todo o dia, durante o trabalho fico me lembrando onde eu estaria e o que teria vivido e aprendido durante essa expedição.
ResponderExcluirhoje fui retirar minha moto na transbrasiliana e que sensação forte.
Ehh, é hora de priorizar outros planos e depois repensar no sonho..
esperamos você em Beberibe, para comemorarmos essa aventura.
valeu cara.
Ps: ainda lhe devo uma cerveja no MAMA AFRICA...
É Elton...continue sonhando, pois quanto mais a gente sonha, maior é a alegria da realização. Estou com quatro cusquenhas na sua frente!
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